Ultramaratona dos Perdidos 2017

 

 

Ano passado éramos 7 corredores atrás de uma das provas mais difíceis do Brasil. Fomos a Tijucas do Sul e São Pedro não deu trégua. Uma chuva fora de época acabou com a prova bem no início. Logo nos primeiros 6 km, no alto do morro dos perdidos,  a direção cancelou e encerrou as duas principais provas, os 105 km e os 45 km. A água que caiu durante a madrugada e na largada deixou alguns trechos intransitáveis e terminou com nosso desafio. Um ano depois, retornamos, não em 7 mas em 3. Todos com a mesma vontade e objetivo: finalizar os 45 K da Ultramaratona dos Perdidos.

veja também:MARATONA DOS PERDIDOS-PROVA CANCELADA

Madrugada de sábado, acordamos e nos preparamos para  encarar os 80 km, entre Curitiba e Tijucas do Sul (sítio dos perdidos), local da largada. Chegamos e a adrenalina começou a tomar conta do corpo. Afinal, com o céu estrelado e o frio de 8º, dificilmente a prova seria cancelada. Depois de um rápido aquecimento e dos reparativos finais, largamos.

Já nos primeiros 400 metros de prova, você começa a entender porque essa prova é considerada uma das mais difíceis do Brasil. Subida de 6 km do pórtico até o cume dos Perdidos por uma estrada de chão, com o sol nascendo no horizonte e a promessa de um dia claro e de temperatura amena. Depois de 1 hora de subida passamos pelo primeiro posto de controle, entramos em uma trilha com vegetação rasteira, que a essa hora já estava bem amassada pelos corredores dos 105 K (a largada foi na noite anterior). Alguns metros a frente, duas baixas na equipe. Pedro que torceu o pé e, apesar da tentativa (ele ainda correu mais 6km), foi obrigado a abandonar a prova, e Rafael, que o acompanhou durante o socorro.

Deixamos Perdidos para trás e começamos o nosso martírio, as trilhas. Foram 10 km de  lama, raízes, subidas fortes e descidas muito técnicas até o segundo posto de assistência (P. A.Fazenda Araça), no 21 km. Com o limite de corte de 05:30 min, consegui chegar com uma folga de 01:10 min para fechar o posto. Parei para comer, dar uma rápida descansada e reabastecer, afinal a pior parte começaria a partir dali.

Foram 20 minutos de parada que fizeram a diferença. “Alimentado” e “descansado”, parti para uma subida e descida muito técnica até o último posto de assitência( P. A. Chico Leme) antes do Pico do Araçatuba. A essa hora o tempo já começava a me preocupar. Tinha pela frente mais 19 km e a subida até o cume. Parei rapidamente para pegar água, seria a última chance de abastecer o camel back.  Como eu não estava em um dia bom para subidas me juntei a dois corredores dos 105 K e aproveitei o ritmo deles para encarar os quase 7 km até o Araçatuba.

O calor já começava a apertar, mas o vento frio dava uma boa refrescada, o cansaço dava as caras e o ritmo já era bem lento. Faltando uns 4 km para chegar, comecei a sentir o posterior da coxa, a maldita cãimbra começou a dar sinal. Parei para alongar, comer e dar um descanso, mas logo fui interrompido. O fecha fila já estava próximo e chegava rápido. Um breve cumprimento e segui subindo. Além da inclinação a lama também foi um obstáculo a ser vencido. Pra quem já estava com as pernas moídas, não estava sendo nada fácil. Naquela hora (sem trocadilhos) só o cume interessava. Finalmente o Pico do Araçatuba, parada rápida para foto e segui.

A descida do pico foi tão difícil quanto a subida, trilha muito técnica de rochas e inclinação de fazer cabra montesa sentir medo.  Não estava sendo um bom dia para  mim nas subidas, mas compensava nas descidas. Aproveitei todos os trechos para soltar as pernas e tirar o atraso, o tempo já me assombrava. Estava usando as últimas energias para conseguir terminar dentro do tempo e ser cortado na chegada seria muito frustrante. Cheguei até o último posto com o relógio marcando perto das 10 horas de prova, ainda faltavam 4 km. Continuei minha descida usando o resto das forças até chegar em um ponto da trilha que logo reconheci. Era o maldito trecho de lama, que já havia se transformado em uma pista de esqui.

Nessa hora, confesso que desanimei e cheguei a me satisfazer com a possibilidade de terminar os 45 K não me importando mais com o corte. Atravessar o km final naquele terreno e terminar no tempo seria impossível. Mas foi acabar de pensar e ter a visão da estrada onde tudo começou – faltavam 400 metros para chegada.

A vontade de chegar e a alegria de ainda conseguir finalizar dentro do tempo, foram os combustíveis pra terminar. Cruzei a linha em 10 horas e 50 minutos, bem acima do que eu tinha imaginado, mas fiquei satisfeito. Ficou a alegria de terminar e o prazer de fazer novos amigos(mas essa vai ser uma outra história)

 

Assista: Ultramaratona dos Perdidos 2016

 

 

 

 

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4 comentários em “Ultramaratona dos Perdidos 2017

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