KTR 2017 – Itamonte – MG

Ano passado eu fui vencido pelo cansaço. Este ano eu fui vencido pela displicência. Não ter estudado o trajeto nem a altimetria, ter a certeza de que o trajeto seria o mesmo do último ano, me custou a prova. Já sabia das dificuldades que encontraria na prova,  de ter que caminhar e correr por quilômetros sem água, e fiz meus cálculos baseado na minha experiência do ano passado. Errei e errei feio. É fundamental em uma prova como a KTR Itamonte, um bom planejamento, um bom estudo para definir a alimentação e hidratação.

Veja também: KTR SÉRIES ITAMONTE-MG – 2016

KTR Itamonte é uma prova única, são quilômetros de subida e descida pelas rochas de um dos trechos mais belos da Serra da Mantiqueira. Em relação ao ano passado , esse eu estava bem fisicamente, estava confiante. Fiz uma boa largada e o primeiro trecho de subida até o ponto do primeiro corte foi bem tranquilo. O que eu não esperava era o sol forte, a temperatura alta e a umidade que estava baixa. Com o calor eu transpirei muito e tive que repor além do normal. Como eu não tinha participado da palestra técnica(quando cheguei já estava acabando) e não tinha visto o mapa do trajeto e altimétrico, não sabia que o trajeto esse ano teria mais um trecho depois do Pico dos 3 Estados. E foi justamente no pico que minha água acabou. Eu já vinha economizando e racionando, mas as subidas são fortes e, apesar da economia, a água praticamente evaporou. Depois  de analisar e pensar resolvi abandonar, foi o melhor a fazer para minha segurança. O desgaste para ir até o Cupim de Boi e voltar seria enorme(a volta tinha uma subida monstra) e ter que encarar toda a volta sem água, o que era um probleminha poderia se transformar e um problemão. Mesmo abandonando a prova eu teria que descer até a chegada. O fato de desistir não me garantia a volta em carro com ar condicionado ou um resgate de helicóptero. Estávamos no alta da serra da Mantiqueira, teria que fazer todo o trajeto com minhas pernas e só teria água perto do KM 29. Foi uma decisão difícil, mas pra mim a melhor.

Após oficializar minha desistência, comecei o retorno fazendo todo caminho de volta procurando economizar energia e evitar o desgaste desnecessário. Passei pelo primeiro ponto de corte, comecei a descida e quilômetros depois encontrei com os organizadores que levavam água para os corredores e staffs, que ainda estavam lá no alto. Passei pelo pórtico de  chegada triste por não ter completado, mas consciente que a decisão foi a melhor para aquele momento. Nunca vou para uma prova pensando em desistir, ter que abandonar é sempre ruim, é uma decisão complicada. Já fui cortado de uma prova de 100 km no km 87, ja tive que desistir de outra no km 70, mas parar por falta de água, foi a primeira vez.  Não me arrependo. Mas vou voltar e não serei vencido pelas dificuldades porque a vontade de cumprir a missão é a minha maior motivação.

 

 

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