PATAGÔNIA RUN 2018

Foram 3 meses de preparação para encarar uma das mais desafiadoras e difíceis provas que já participei nesses poucos anos de ultramaratonas. Sair dos 100 km e ir para os 160 km, foi um salto, na verdade um grande salto. Mesmo imaginando o que eu passaria, não tinha a real noção do que seria trilhar as 100 milhas da Patagônia Run. Depois de um vôo cansativo até a capital Argentina, Buenos Aires, segui para a bela Bariloche. Fiquei dois dias na capital do turismo argentino, antes de seguir para San Martin. Aproveitei para conhecer a cidade e correr um pouco às margens do Lago Nahuel Huapi. O tempo seco e a falta de neve nos picos ao redor, me preocupava. Sabia que a prova poderia ser em trilhas com muita poeira (em anos anteriores já tinha passado por isso) e um pouco de neve seria o suficiente para diminuir esse pó sufocante. Desejei neve para amenizar, mas o que veio foi chuva e muito frio. Em San Martin, já entrando no ritmo da corrida e começando a sentir o friozinho na barriga, o tempo seco e frio começava a incomodar e a me afetar com um leve resfriado. Alguns treinos para soltar o corpo, me ambientar à nova temperatura e pronto ou listo, como dizem os hermanos.

Chegou o Dia D.  Às 12:00 largamos da frente do Lago Lacar, um dos pontos turísticos mais famosos da cidade. Com o céu azul e um sol que ajudava a esquentar o friozinho de 13º, que fazia na hora, partimos para encarar nossos primeiros quilômetros de subida. Pouco mais de 500 metros após a largada a tão esperada trilha. Fila para encarar a primeira subida e seguirmos até o Pas La Base( primeiro posto de assistência) e de lá até o alto do Cerro Mocho, completando os 20 km iniciais. Depois das subidas fortes e inclinadas chegava a hora das descidas fortes e travadas. Descemos pelo único trecho que tinha neve até o Pas Laguna Verde, um paraíso no meio de um vale( creio que foi um dos lugares mais bonitos da prova). Mais subidas, descidas e a noite, com ela o frio, e a primeira parada para trocar de roupa. Pas Total Puentes de Luz, km 55, o único na área urbana. Colocar uma roupa seca e quente, seria fundamental para encarar o que a madrugava nos preparava.  Começamos nossa subida até o cume do Cerro Colorado(1750), eu e meu novo amigo André, um pernambucano guerreiro e que foi um grande companheiro ao longo do caminho. Frio, sono e uma subida lenta, seguimos até o cume para depois encarar uma descida também lenta(problemas com nossas lanternas nos obrigaram a descer com muito cuidado). Ao amanhecer chegamos ao Pas Colorado, já com 19 horas de prova e com aproximadamente 87 km percorridos. O corpo a essa altura já começava a sentir os efeitos dos quilômetros rodados e da noite sem sono. Seguimos com o tempo contra, perdemos muito tempo nos postos de assistência e a conta começava a chegar. Saímos do Colorado e 4 quilômetros depois mais uma subida insana. Fomos de 1000 de altitude para 1500 em 3 quilômetros de subida, em uma inclinação animal. Cerro Sentinela era o nome do novo carrasco(nunca tinha passado por ele em edições anteriores, novidade total). Mais 4 quilômetros de descida e mais um Pas, Quilanlahue, a essa altura com mais de 93 km de prova e o tempo batendo à porta. Parada rápida e mais uma subida, Cerro Quilanlahue( 1650) um antigo carrasco. Descida até o Pas Coihue seguido do Pas Del Lago, neste momento já próximo do meu recorde pessoal( 114km Ultrafiord 2017). Faltando alguns minutos para fechar o posto e quase desistindo, resolvi seguir até o próximo, mesmo sabendo q poderia ser cortado. Eu precisava me superar e ver até onde meu corpo e minha cabeça aguentariam. Aguentaram, apesar de cortado no Pas Quechuquina, me superei e completei 120 quilômetros.

Não fiquei triste, ja havia desistido em prova anteriores e ficado mal. Mas dessa vez não. Mesmo não cruzando o pórtico de chegada, já me sentia um vencedor. Bati meu recorde pessoal e não desisti. Seguir, mesmo sabendo que não conseguiria passar pelo corte foi a prova de que, se eu não tivesse errado na logística, teria finalizado. Foi uma experiência fantástica, um grande aprendizado deixando uma vontade de, quem sabe um dia voltar para vivenciar tudo novamente.

 

 

 

 

 

 

 

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2 comentários em “PATAGÔNIA RUN 2018

  1. Toda vez que vejo um vídeo seu, fico impressionada com tanta determinação, com sua garra, sua vontade de superar seus limites. Isso me inspira muito.
    Muito orgulho de vc.
    Parabéns 😘

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