LA MISION SERRA FINA 80K: UMA EXPERIÊNCIA FANTÁSTICA

Se eu tivesse que usar uma frase para definir a minha participação nos 80 km da La Mision 2018, esta frase seria: “Eu estive perto de Deus”. Não só pela altitude, mas também, pela experiência de correr e caminhar por um dos lugares mais bonitos da Serra da  Mantiqueira e pela possibilidade de viver uma das mais maravilhosas experiências que o homem pode viver, o companheirismo.

Largamos às 09:00, o tempo estava claro e a temperatura agradável. Logo de cara reencontrei meu amigo Ito(Velho conhecido da Ultra Fiord 2017) e seguimos por alguns trechos de asfalto e paralelepípedo, até uma estrada de chão que nos levaria às trilhas da Floresta Nacional de Passa Quatro(FLONA). Uma grande volta pela floresta, e já dava para ter uma noção do que seria o restante da prova. Trilhas técnicas pelas matas, subidas íngremes e descidas com inclinação de assustar, era o nosso aperitivo.

Na semana anterior à corrida, eu havia participado de uma prova do Circuito VTR em Valença. Foi meu último treino antes da La Misón. Por um erro, acabei usando um tênis que me custou uma contratura na lombar. Foi uma semana de luta contra dor e contra o relógio. Não mais do que 22 km percorridos, já com muitas dores na lombar e psicologicamente vencido, saimos da floresta e começamos a subida, por estrada de chão até a entrada das trilhas da Serra Fina. Depois de uma breve parada, na Toca do Lobo, depois de alguns copos de Guaranita, já mais recuperado, tomei coragem e gás para encarar o subidão. Neste momento já não tinha a companhia de meu amigo Ito.

Pensa em um subida lenta, numa trilha técnica, em um sobe e desce infinito, esse foi o trecho da Toca do Lobo até o Alto do Capim Amarelo. Já tinha conseguido escapar do corte no Quartzito(7 horas). Na subida para o cume do Capim, reencontro meu amigo e me junto a mais dois corredores. Chegamos o ponto de corte(Cume do Capim Amarelo) faltando 1 hora para encerrar. Comemos, vimos um por do sol maravilhoso e fomos aconselhados a não prosseguir. Teriamos que encarar aproximadamente uns 6 km de trilhas técnicas, a noite e no frio, seguimos.

Foram quase 6 horas para fazer a travessia até o cume da Pedra da Mina. Subidas lentas e descidas travadas nos acompanharam por todo o trecho. Confesso que, se não fosse pelo companheirismo e incentivo do já conhecido amigo, e também, do novo companheiro, seria bem provável que eu estivesse morando até hoje lá pelas bandas da Serra Fina. Sofremos, rimos e conquistamos  juntos o pico da Pedra da Mina. Lá estávamos nós, os últimos a passar pelo corte e a chegar no 4º pico mais alto do Brasil. Quando deixei o último ponto de corte, na minha santa inocência, achei que mesmo com tempo apertado conseguiria atravessar a serra e chegaria bem no Paiolinho. Assim que conquistamos o cume eu tinha a certeza que não conseguiríamos terminar e seguir(a esta hora já estávamos com 13 horas de corrida no km 31).

Apesar da certeza de que finalizar os 80 km da prova, seria impossível, uma grande euforia tomou conta de todos nós, afinal tinhamos passado por uma das mais difíceis e mais técnicas trilha do Brasil e conquistado seu ponto mais alto(2798 mts). Naquele momento esta conquista nos bastava, era a nossa glória. Começamos a descida, já refeito da euforia, até o próximo posto de assistência. Foram horas de descidas, por uma trilha que se perdia em um grande paredão de pedra até uma mata. Escorregões e tombos já faziam parte da nossa rotina, já estávamos bem cansados e descer com aquela inclinação, nos consumia o pouco de energia que nos restava. Descemos até uma trilha de floresta até chegar em uma estrada de chão que nos levaria até o tão esperado Paiolinho, pouca coisa pra frente da metade da prova, no km 42.

Fomos recebidos pelos staffs, com canjiquinha e muita guaranita. Tinha chegado o momento mais difícil e mais fácil, abandonar a corrida. Difícil porque abandonar envolvem muitos sentimentos e fácil porque com todo cansaço e todo acolhimento não restava dúvida que era o melhor  a fazer. O próximo corte seria no 61,5km, com 21 horas de prova. Estávamos no km 42, seriam quase 20 km, para serem feitos em 3 horas. Naquele momento e com a altimetria que teriamos pela frente, achei melhor não prosseguir. O ano segue e com ele outras oportunidades e desafios. O melhor  seria mesmo abandonar e quem sabe no próximo ano retornar e ai sim, melhor preparado finalizar.

Foram 42 km e 18 horas de muito esforço e muita energia, que me fizerem repetir  quase como um mantra, que nunca mais retornaria para fazer aquela prova insana. Ainda bem que minha memória e a do meu corpo não são muito boas. Ficou uma lacuna no meu quadro de medalhas que precisa ser preenchido e que só em 2019 que conseguirei preenche-lo.

Fotos: Wladimir Togumi, Arquivo pessoal, Eduardo Leandro

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