Quando desistir é a única opção!

Por Ernesto Carriço

 

Quando comecei a correr, há alguns anos atrás, nunca me imaginei desistindo ou parando em uma prova. Acostumado a participar de corridas de 10km e 21km, geralmente em asfalto, já cheguei a diminuir o ritmo para conseguir chegar, mas nunca parar e desistir. A partir do momento que você começa a participar de maratonas e ultras maratonas, essa possibilidade passa a ser real. É comum ver atletas, que se prepararam meses, parar alguns km’s depois da largada. Cansaço, frio, dor, desmotivação, falta de preparação física ou mental, são alguns dos vários motivos que levam ao abandono ou à desistência.

 

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Este ano, após largar para mais uma tentativa de fazer minhas primeiras 100 milhas na Patagonia Run e alguns km’s de trilha percorridas, torci o pé em uma subida. Na hora não acreditei, não podia ser verdade. Como um vacilo, um descuido, uma pisada em falso em um buraco, poderiam acabar com 4 meses da melhor preparação que eu já havia feito até então? Não quis acreditar e com o corpo quente continuei seguindo.

Mesmo com o pé torcido, conseguia subir e trotar em lugares planos. Mas quando descia ou entrava nas trilhas irregulares, era praticamente impossível me manter em pé. Sabia que tinha sido uma torção forte, mas me recusava a achar que me impediria de continuar. E de fato não me impediu, até o posto de assistência Miramás, no km 35. Quando entrei no posto e tirei o tênis, eu sabia que a prova tinha acabado pra mim. Foi um lago Lakar de água gelada desabando na minha cabeça, afinal foram 4 meses e era certo eu chegar.

Na última semana fez 1 mês que fui a San Martin, local da largada. Desde abril, a única coisa que eu havia feito e falado sobre a Patagonia Run estavam no vídeo que fiz para o canal. Foi difícil digerir esta “derrota”, por mais que repetisse para mim mesmo que não era minha culpa. A sensação de dever não cumprido era grande, a sensação de ter falhado era grande.  Mas a verdade é que realmente a culpa não era minha. O que aquele maldito buraco estava fazendo ali no início? Não podia ser no finalzinho, faltando apenas 35km para acabar? Quem corre em trilhas e montanhas tem dessas coisas: um cipó, um galho, uma ponta de pedra ou um maldito buraco, podem te tirar da sua melhor prova.

Já participei de outras ultras e já fui derrotado por mim mesmo. Posso garantir que é muito pior que ser derrotado por um maldito buraco.  A sua cabeça está o tempo todo te sabotando, te mandando parar, é o inimigo a ser vencido. Agora ele, o maldito, não fala contigo, não te desmotiva, mas tá ali nos 160 km prontinho pra te derrubar. E o pior, é um inimigo universal. Sempre estará em alguma trilha, pronto pra te vencer e te levar ao chão.

Mas, como não temos como  fugir dos buracos do universo, superamos mais essa e começamos a preparação para uma novo desafio, sempre com a certeza que ele estará ali, à espreita esperando o mais atento ou desatento corredor.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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