Descobrindo Yosemite

Por Fabricio Paiva

Acredito que quase todo escalador já ouviu falar ou já sentiu / sente vontade de conhecer o Parque Nacional de Yosemite. Considerado a meca da escalada de grandes paredes (os famosos big walls), o parque está localizado na Califórnia e ficou mais famoso ainda depois do filme Free Solo, onde o americano Alex Honnold escala a via Freerider sem nenhum tipo de segurança.


Tive o privilégio e o prazer de ir duas vezes pra Yosemite: em 2015 e 2017. Na primeira vez, fui com um amigo desencanado em relação à escalada. Era a minha primeira viagem internacional e qualquer coisa era festa. Não tínhamos muito tempo para ficar lá, nossa programação era de apenas uma semana de viagem.

Chegamos em São Francisco e logo fomos às compras. Primeira loja no cardápio foi a Sports Basement, onde se encontra praticamente tudo ligado a esportes. Na sequência fomos para Berkley, onde passamos em um outlet da The North Face e depois paramos na REI (outra loja tão grande quanto a primeira e também muito conhecida pelos brasileiros).

Compras feitas, era hora de partir para o parque.A viagem é longa e, na minha opinião, alugar um carro faz muita diferença. A chegada no Vale de Yosemite é inesquecível. A parede do El Capitan, com seus quase 1.000 metros de altura e ao fundo o Half Dome, é de tirar o fôlego. Fomos com o intuito de ficar acampados e o Camp 4 foi a escolha mais lógica.

Quem já ouviu falar de Yosemite muito provavelmente também já ouviu falar desse acampamento. Um local sem muita estrutura, apenas com banheiros e sem chuveiro, mas organizado e muito utilizado por escaladores do mundo todo, além de ter uma vibe muito bacana. Ficamos acampados 3 dias e pude conhecer trilhas e cachoeiras.

Também tive o privilégio de conhecer as famosas sequóias em Tuolumne Grove. Foi tudo muito rápido e 3 dias não dá pra ver quase nada do parque, mas valeu muito a experiência e a vontade de voltar ficou ainda maior.

Em 2017 voltei com um casal de amigos e também com mais tempo. Dessa vez, eram 2 semanas para ficar. Pisamos em São Francisco e partiu compras de novo, rsrsrs. Agora estávamos equipados para escalar também. Ficamos novamente acampados no Camp 4 e logo saímos à procura de locais para subir. Adquirimos um guia e procuramos vias com um grau que, teoricamente, déssemos conta.

A primeira que tentamos chama-se Moby Dick, uma via clássica do vale e que fica na parede do El Capitan. Na primeira cordada, já levamos um pau de quase perder o rumo. No meio da primeira enfiada, vimos que as proteções que levamos não seriam suficientes e que a graduação também não é muito compatível com a que estamos acostumados aqui no Brasil. Fora que escalar fendas em um granito liso também não é muito comum por aqui. A natureza nos colocou em nosso devido lugar e decidimos abaixar mais a graduação da próxima via. Começamos então com algumas escaladas próximo do Camp 4 e bem mais fáceis que a Moby Dick. O negócio começou a fluir e ficamos animados novamente.

Fato interessante durante uma via que escalávamos foi na segunda cordada onde estávamos ancorados em uma árvore e um escalador, no autêntico estilo free solo (sem nenhum tipo de segurança), pede licença, passa escalando como se estivesse no plano e some acima da gente. Olhamos incrédulos um para o outro, sem entender nada, e começamos a rir da situação. Todas as vias que escalamos não possuía grampo ou chapeleta, tudo era proteção móvel ou em árvores.

Fizemos também algumas trilhas, como até o topo da Yosemite Falls, uma das cachoeiras mais famosas do parque. Caminhada longa, com muita subida e paisagens de tirar o fôlego, mas vale a pena. Como fomos no final de agosto, era também o final do verão e por isso o volume de água não era tão grande como estamos acostumados a ver em fotos na internet. No parque as estações do ano são bem definidas e a alta temporada seria a primavera, quando todas as cachoeiras estão com seu volume máximo devido ao degelo, e a flora fica exuberante.

Tínhamos como proposta para essa viagem ficar uma semana em Yosemite e na segunda semana ir conhecer o Grand Canyon. Partimos então em direção à Las Vegas para pernoitar e aproveitar para conhecer a famosa cidade dos cassinos e filmes. Se arrependimento matasse… Ficamos meio atordoados com tanta informação pra digerir. Las Vegas com certeza não é nossa vibe e ficamos meio desorientados lá. Decidimos abortar o Grand Canyon e voltar pra Yosemite, de onde não deveríamos ter saído.

Agora com poucos dias para desfrutar do parque, fizemos a última escalada no vale e também a mais maneira delas: a via Munginella. Foram três cordadas de fendas perfeitas e de grau bem tranquilo. Via excelente para aclimatar ao estilo de escalada de lá.

Infelizmente, como diz o ditado, tudo que é bom dura pouco. Nos despedimos do Vale e voltamos pra casa com a certeza de que ainda falta muita coisa pra conhecer e fazer em Yosemite. Também tenho certeza que em breve estarei de volta a esse lugar mágico e encantador pela sua beleza, escaladas, trilhas e paisagens.

tioufabricio

Formado em processamento de dados
e atuando na área de TI. Com mais
de 25 anos de montanhismo e 20 de
escalada. Descobriu e participou do desenvolvimento de vários picos da Região Sul do Estado do Rio de Janeiro e também Passa Vinte/MG.
Nascido em Barra Mansa/RJ, formou e incentivou vário escaladores,
contribuindo muito para a divulgação do esporte.@fpaiva.skl

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