A HORA E A VEZ DO ECOTURISMO

Por Cesar Loon

 

Para muita gente a simples ideia de uma noite dentro de uma barraca pode parecer uma visão do inferno. Mas acredite: o ecoturismo veio para ficar. Num cenário onde o Brasil atrairá 14 milhões de turistas estrangeiros em 2020, num segmento que cresceu nesta década cerca de 20% ao ano, as perspectivas para quem investe no turismo de aventura são muito convidativas. Para pacotes voltados a atividades junto à natureza e à indústria de equipamento esportivo, passando por operadoras de turismo e empresários do setor hoteleiro, o momento é ideal.

Em março de 2015, no ITB Berlim, na Alemanha, os segmentos de ecoturismo e turismo de aventura foram a grande atração do evento. Na ocasião, a Embratur apresentou as ações que irão promover a modalidade no Brasil junto a entidades internacionais como a ATTA (Advenure Travel Trade Association). Segundo o presidente da Embratur, Vicente Neto, o turista busca “experiências autênticas e procura visitar cavernas, conhecer pinturas rupestres, ver animais selvagens, enfim, viver aventuras de fato”. Num levantamento recente do Ministério do Turismo com turistas estrangeiros, 24% dos visitantes internacionais disseram buscar o contato com a natureza, sendo atendidos por cerca de duas mil empresas – segmento que mobiliza entre 11 mil e 18 mil empregos.

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Mas se nos sobra potencial e recursos naturais (competimos com pesos pesados do setor, como Nova Zelândia e Chile), falta-nos políticas de manejo sustentável e qualificação. Poucos são os países no mundo com a extensão territorial do Brasil e menos ainda aqueles que podem contar com a variedade de cenários naturais e biomas. Uma das questões a serem resolvidas é um programa sério que fomente o turismo em parques nacionais e seu entorno, que qualifique os pequenos empresários que compõem a cadeia produtiva do ecoturismo e repasse recursos para a proteção das unidades de conservação. Enquanto o governo chileno conta desde 2004 com projetos de desenvolvimento sustentável de ecoturismo até em comunidades rurais (os parques nacionais do Chile são exemplos de organização e têm seus serviços ao público geridos pela iniciativa privada), o Brasil amarga problemas de gestão. A falta de autonomia dos parques, atrelada à dificuldade de atrair parceiros comerciais, estrangulam nosso valioso patrimônio.

Ainda assim, a busca pelo contato com a natureza ganha força como opção de esporte e turismo para um público de poder aquisitivo alto, boa escolaridade e que paga com um sorriso por uma temporada alternativa. Basta visitar a Adventure Sport Fair, em São Paulo, ou o Festival de Filmes de Montanha para entender o poder desta nova era. Então, se alguém te convidar para passar as próximas férias no meio do mato, não estranhe, é bem possível que seja o melhor programa da sua vida.

 

CESAR001@CESAR_LONN é montanhista, com mais de 30 anos de vivencia em atividades outdoor é Diretor técnico da Azimuth Travessias, com experiência de montanha no Brasil, Chile, Argentina e Bolívia.

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