Resiliência e superação!!!

Por Reanto Gioseffi
Me chamo Renato Gioseffi (o Lobo Guará), tenho 49 anos, natural de Valença, cidade do sul do estado do RJ, situada em uma bacia de vales encantadores. Venho dar meu testemunho e contar um pouco de minha trajetória dentro desta maravilhosa modalidade chamada corrida de montanha.

Tudo começou em 2013, mas antes, vamos lá atrás. Desde a infância, como qualquer criança do interior, caçamos coisas para nos divertir. NUNCA JOGUEI FUTEBOL (risos), fui apresentado ao vôlei, me encantei, mergulhei com gosto, me apaixonei pelo karatê, no qual estou até  hoje. Mas o tempo foi passando, muitas responsabilidades, estudos, trabalho, família, tudo concialiado às atividades físicas (vôlei e karatê).
Em 2005, fui acometido de um trauma na lombar e cervical, fiquei exatos 7 anos,10 meses e 28 dias restrito a qualquer atividade física, para parcial recuperação. O corpo clínico que me adotou fez de tudo para minha habilitação para cirurgia, me tornando um “ROBOCOP”, mas como tudo não são flores, e rosas possuem espinhos, não foi possível o procedimento. Neste contexto, de 72kg cheguei a pesar 144,45Kg , desesperador.
Um belo dia, uma grande amiga chamada Déia (Andréia Sineiro) me convidou para conhecer um grupo de caminhada e corrida aqui de Valença, a EQUIPE CORREDORES DE VALENÇA. Na época, direcionado pelo nosso amigo Ramon Carlos, eu, então com 144kg, tomei a coragem de converter meu caminho, sair da rota de encontro com o fantasma da depressão e fatalmente a morte de meu cérebro juntamente de meu corpo!
Comecei a caminhar, fui adotado por clínicos e fizemos um propósito de 1000 dias ( importantíssimo ser acompahado e adotado por um corpo de profissionais da saúde). Eles me ajudaram a perder, acreditem, 71kg, e me ajudam até hoje.

Com a mente mais sadia, o corpo respondendo bem ao tratamento – importante dizer, sempre com o auxílio de um profissional de Educação Física -, comecei a participar como integrante da equipe de corridas curtas rústicas (rua) e, de repente, fui apresentado ao primeiro treino em estradão (Off road).  Fiquei apaixonado, fiz meu primeiro 7k de trail run, viciante, sem pular etapas. Isso é muito importante, comecei a estudar este negócio de TRAIL RUN,  participei como staff de 6 etapas de trail run. É sensacional essa experiência, convido todos vocês a serem staff’s, experiência de estar em uma prova com outro olhar.

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Aí a coisa empregnou na roupa e na pele, comecei a me preparar fisicamente, fiz minha primeira de 12k, duríssima ao meu olhar na época. Depois, sem pular de fase, fiz 15k, cheguei nos 25K. Quase desisti, prova com chuva, frio e altimetria, sem fingimento, completei.
Vendo meus colegas falaraem de ultras, ultras, ultras, fui ver que negócio era este… 50k… tá maluco, ISTO SÓ PODE SER MALUQUICE, LEVAR O CORPO AO EXTREMO DA INSANIDADE. Mas o ser humano é descendente do macaco, bicho curioso, me inscrevi em 2018, na minha cidade Valença, no DESAFIO SERRA DOS MASCASTES 50K, prova linda, diga-se de passagem.
Treinei muitoooo, mas eu esqueci de um detalhe: eu estava pronto, pra me tornar um ULTRA MARATONISTA??? Não me fiz essa pergunta, resultado: QUEBREI NO KM37. Que decisão horrível é desisitir de uma prova para a qual você “se preparou 4 meses”, achando que em 4 meses eu estaria pronto.  Foi muito ruim digerir e engolir aquela derrota pessoal! Meu professor físico Daniel Fuentes meu deu um tempo, fiquei mal mesmo.
Em novembro de 2018, eu tomei uma decisão: VOU SER ULTRA MARATONISTA. Conversei com meus tutores médicos, minha nutri, dra. Daniella Guarini, e foram 365 dias, desde a desistência, até o dia 05/10/19, DESAFIO SERRA DOS MASCASTES 50K 2019. Um trabalho árduo, junto de meus amigos e amigas, profissionais da saúde, profissionais físicos, treinamentos específicos, aceitar o que o treinador lhe pede para executar, sem mais e nem menos. Agradeço aqui minha técnica Ultra Sabrina Erbisti, ao meu amigo e irmão ultramaratonista da equipe Chivunk, Robson Enes, que treinava comigo, me ajudando nos treinos técnicos, enfim…
Com 11:25’13” a um desnível 3.283 (ganho real), me tornei, após 53.383 metros, ULTRAMARATONISTA DE MONTANHA. Na minha casa, na minha cidade, nas terras onde corri quando criança, que em 2018 fui derrotado pela minha ignorância, por minha falta de responsabilidade, por inflar um ego que não cabe em uma prova de montanha desta grandeza.
Portanto, caros estreantes nesta linda e perigosa modalidade, preparar o corpo, o físico é fácil, mas nossa cabeça é um cadafalço com vários atalhos, que nos levam a desfiladeiros dos quais não conseguimos retroagir. Como diz um velho corredor aqui de nossa cidade, ” o atalho só serve para adiantar o sofrimento!” Não pule etapas, sempre aprendemos que é um pé de cada vez! 
Abraços do Lobo.
renatoRenato Gioseffi. 49anos, Torneiro mecânico, ferramenteiro na área de protótipos automotivos e agora Ultramaratonista.
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